11/10/2007

Ih aí meu irmão, caracas hein mano!!! hehehe estamos no rio!!!

O casal que nos acolheu em Caragua, Felipe meu amigo de infancia e Natalia, sua esposa.

Que semana louca...tô meio perdida no tempo.... pffff..... acho que se passaram quase duas semanas desde a ultima vez que escrevi, foi numa terça né? Pois é... semana corrida, não deu para botar a mão num compt., agora vou ter que fazer um resumão legal das coisas por aqui.

A ideia era sair de Caragua e parar em Ubatuba para conhecer o IPEMA, um instituto de permacultura, mas entrando no site deles ficamos sabendo que só para visitar o lugar tinha que pagar vintão por cabeça, daí desanimamos... por vários motivos, o principal é que não temos grana mesmo, o o outro é que achamos um absurdo isso de cobrar só para conhecer um lugar que tem um monte de coisa legal de ser repassada no sentido de salvar o planeta mesmo. Isso é conhecimento que devia ser repassado de graça!!! É isso que a gente está fazendo com o projeto PedalEco Brasil.

Bem, passamos Ubatuba, não sem antes conhecer algumas de suas praias, tomar alguns banhos de mar e umas cervejinhas, para refrescar.... nesse dia nós também cruzamos o Trópico de Capricórnio!!!! Acretidem ou não!!! Caracas, pena que passamos reto e não vimos a placa que indicava isso, se não teríamos tirado uma foto. Nessa noite dormimos em uma das praias no litoral norte de Ubatuba, Itamambuca, liiiiiinda.


No outro dia continuamos a pedalar e pedalar.... muitas subidas e muitas descidas.... as bicicletas estavam precisando de uma geral e já estavamos perdendo rendimento, mais o peso!! Foi um dia bem dificil..... Quando faltava apenas 1km da divisa sp/rj nós paramos numa lanchonete, comemos um pastel demos uma refrescada numa cachoeira e lá fomos nós.... a última subida em São Paulo... um quilometro diretão subindo, sem parar, nem olhar para frente... chegando na divisa do Rio... pô que felicidade!!! Valeu o sacrifício, depois de tirar umas fotos básicas e depois.... 9Km de descidas alucinógenas!!!! zuuuuuuuuuuum e zuuuuuuuuuum e zuuuuuuuuuum. Barbada.

A gente sabia que logo por ali tinha uma comunidade quilombola, a qual a gente esperava conhecer e passar uns dias... lá a gente tinha o contato de uma menina que conhecemos no ENCA, uma equatoriana, a Verônica, que disse que moirava lá, pedalamos mais um pouco e daí vimos duas meninas afro-descendentes e paramos para pedir informação: "Por favor onde fica o quilombo do campinho..... conversa vem e vai.... vocês conhecem a Verônica?.... Ah, é minha cunhada. Acertamos em cheio. Aop chegar na casa dela só encontramos o companheiro dela, o Sílvio, que nos acolheu super bem.

A Verônica tinha saido para uma viagem a São Paulo uns 5 minutos antes de a gente chegar... coisa louca né? Mas mesmo assim passamos uns dias lá chegamos na quarta e saímos no sábado a tarde. Durante esses dias a gente ajudou no viveiro de mudas deles, a comunidade está empenhada em plantar uma agrofloresta gigantesca em sua terra. Já têm mais de 20 mil mudas de árvores nativas e ainda pretendem plantar mais.

Coincidiu também de a gente presenciar a inauguração da TV quilombola, que foi lançada na sexta feira dia 5, para coincidir com o dia em que acabava a conseção da rede globo. Só para explicar, nesse dia eles fizeram um movimento nacional: "Globo, a gente não vê por aqui" Tudo porque a globo tem veiculado no jornnal nacional matérias negativas e mentirosas a respeito do povo quilombola, dizendo que eles não existem e tal.

Bem, o quilombo Campinho da Independência é um quilombo de verdade, foi titulado em 1999, é um povo com descendência direta de três escravas, sendo duas delas irmãs e uma delas prima. Quando elas tiveram a posse da terra elas disseram que ali era lugar de criar filhos, netos, bisnetos e amigos. Dito e feito, dessas três fecundas escravas a comunidade conta hoje com uma população de 500 pessoas, sangue forte!!!

Saímos do quilombo no sábado, porque queríamos chegar em Angra na segunda para desenvolver trabalho de educação ambiental lá!! Demos uma passada bem rápida em Paraty, visita de turista mesmo, paramos numa cachaçaria, conhecemos o centro histórico, o sobrado dos abacaxis, a pousada do Sandy (quem nunca viu a propaganda nas antigas fita de vídeo?) e tocamos em frente, só para dormir num lugar seguro. Dormimos na frente de uma igreja, com um visual super jóia. No dia seguinte acordamos beeeeem cedinho (agora todo dia 5 da madruga estamos acordando naturalmente) e tocamos para angra, mas como angra ainda ficava meio longe, dormimon uns km´s antes, no bar de uma senhora, a Dona Dalva, super simpatica, que nos acolheu, deixou a gente entrar em sua casa para tomar banho, nos fez uma janta e ainda nos deu 3 compotas de doces caseiros que ela fez com as frutas de seu quintal

De manhã saímos cedo e cara, chegamos em angra antes da 9h da manhã e pegamos a turma da secretaria do meio ambiente de surpresa. Eles ainda não tinham nem aberto nosso email onde avisávamos que chegariamos na segunda, bem, como a secretária não foi capaz de lidar com uma situação dessa ficamos na mão de novo, sem ter onde dormir e precisando arrumar as bikes e também a máquina que resolveu, de uma hora poara a outra, parar de funcionar, perdemos muita foto boa nesses dias. O que deu para fazer rapidinho foi trocar o pedal da minha bike que estava uma m........ os caras da bicicletaria foram tão gente boa que até deram para o Clé um pneu novo. Olha aí galera da região, bicicletaria de fé mesmo: Bike Mania Angra, eles não têm site mas o fone é: 024 3365 3455.

Como ninguém pensa direito de barriga vazia, fomos a praça, comemos uma tapioca deliciosa e pensamos; Bem, o jeito agora era ir para a Ilha Grande (que peninha), lá tinhamos contato com um cara que conhecemos no ENCA, o Serrão, ele disse que quando chegassemos em angra era só ligar para ele que busacava a gente de barco e nos levava até a casa dele na praia dos aventureiros. Bora ir para o cais procurar ele, tínhamos apenas o nome do barco onde ele trabalhava, chegamos lá e....deu vontade até de rir, o cara não tinha casa nem nada e nem condição de nos levar para lugar nenhum e nem morava mais na praia doas aventureiros.... mandamos uma abraço para ele e tocamos em frente, sem ressentimentos.


Tentamos pedalar o máximo, para adiantar a viagem e tentar chegar no rio antes do feriado, para dar tempo de arrumar as bikes e fazer uma $$$ com o feriadão prolongado! Chegamos num lugar chamado Conceição de Jacareí, e nos indicaram uma cachoeira onde poderíamos acampar, mas daí uns locais disseram que não seria legal por causa da policia municipal e nos indicaram a praia, lá chegando, mal encostei a bike uma mulher bem simples perguntou: "Procurando lugar para acampar? É aqui mesmo!" Pronto, num instante estávamos brincando com seus filhos, fazendo almoço/janta, juntos, comendo dentro da casa deles. Lá também nossa maquina fotografica voltou milagrosamente a funcionar.



É uma família pai, mãe e 4 filhos, que moravam debaixo do calçadão da praia com mais algumas familias. Toda vez que a maré enche, a água entra, fora os vazamentos que faz a água escorrer pela parade fazendo que o local fique sempre com grandes poças de água. Pô familia mó simples, galera precisando mesmo e nos receberam com maior gosto. Trocamos várias idéias e eles nos alertaram: "E aí ó mano, te liga que lá pro rio a chapa tá quente"

Dali no outro dia, a gente não sabioa direito o que fazer, não sabíamos direito que rumo seguir para chegar no rio, tínhamos dois caminhos, paramos em Magaratiba 20Km depois para ligar e pedir informações e achamos melhor dormir por ali mesmo, pois o rio ainda estava meio longe e o melhor era não arriscar. Achamos melhor desembolsar uma grana e dormir numa pousada por aquela noite.



Saímos de Mangaratiba 6h da matina, e cara, um vento inacreditável, sério mesmo, o vento encanava pela rodovia e ficava impossível pedalar morro acima, até arrastando a bike em alguns momentos nossa força era simplesmente anulada pela força do vento. Nem nas descidas aliviava, o vento era tão forte, que se a gente não pedalasse pesado a bicicleta freiava totalmente.... cara, na descida eu to falando. Muitas vezes na reta mesmo o vento de repente batia de lado e quase nos derrubava, o Clé chegou a cair uma vez da bike. Ficamos muito estressados mesmo. Pô esse era o dia que queríamos chegar no rio e simplesmente não dava para pedalar.

Paramos num posto de gasolina para pedir informação e pegar água quando ouvimos um grito: NÃO ACREDITO!!!! Quando olhamos para ver o que era, quem não acreditou foi a gente. Para quem acompanha o blog faz tempo, vocês se lembram do Joaquim? Aquele maluco que nos acolheu em Pelotas e nos levou para a Comunidade Santa Bárbara de catadores de lixo, e l[á fizemos um trabalho de copleta da água da chuva?? Vocês lembram??? Pois então, lá estava ele e sua recém esposa, Cristina. Ele tinha nos avisado que ia sair de Pelotas de bike para chegar no sul da Bahia, onde iria estabelecer morada com a mulher de sua vida, pois então, encontramos eles no meio do caminho, acredita só?



Foi o que nos salvou aquele dia, porque eu e o Clé estavamos numa zica braba mesmo, os últimos dias tinham sido muito duros para a gente. Rever o Joaquim foi ótimo, conversamos, trocamos novidades e pedalamos juntos até uma bifurcação, onde a gente ia para um lado e eles para o outro. Eles queriam atravessar o rio ainda naquele dia (ontem) e a gente queria apenas chegar na casa de uns conhecidos nossos no rio, longe do centro. Na bifurcação a gente se despediu e cada um tomou seu rumo.

Depois de entrar ali à direita parace que entramos em outro mundo, pedalada totalmente diferente, cidade mesmo, carro adoidado, ônibus, lotação, pedestre, carrinhos de sorvetes, buzinas, morro que sobe, morro que desce, favelas, cachorros atropelados, pedestres, carros e mais carros, sinais fechados e demorados, cruzamentos perigosos, entradas escondidas, ruas esburacadas e sem acostamento nem calçada, mas finalmente chegamos na casa da vó Jecy.

Lá a gente foi bem recebido, tomamos um banho, uma almoço, dormimos a sesta, de noite ainda fomos numa feirinha de artesanato com o Caio, cara gente finésima. Passamos a noite muito bem.

Hoje de manhã marcamos que ir embora amanhã de manhã cedinho porque eles vão aproveitar o feriado para visitar um dos filhos que mora num sítio. Mas beleza, já temos pouso em Niterói e de lá é facil pegar busão para Copacabana e fazer uma $$ ocm os bacanas. hehehe.

Hoje também gastamos uma nota preta trocando umas peças da bike, mas fazê o quê? Já estamos avisados a cada 2000Km temos que trocar catraca e corrente, e olha que esse jogo que trocamos hoje durou quase 3000km. Vida de ciclista, se estivessemos de carro íamos gastar uns R$500, sei lá.

O que eu tenho para dizer tipo diário foi isso, mas agora quero dizer algo mais pessoal. Galera, essas últimas semanas, desde de que saímos de Caragua foi casca grossa mesmo, as bicicletas estragadas, o peso das bikes, as baitas montanhas, o fato de chegar nos lugares de noite, sem ter onde dormir e sem conhecer ninguém é pesado. O fato de estarmos sempre correndo atrás nos coloca as vezes em situações que um não aguenta mais olhar para a cara do outro, cara, como brigamos esses dias. Mas chegar no rio ilesos nos deu uma boa dose de coragem e esperança que as coisas vão ficar mais leves novamente.

Ahô grande espírito! Ahô todos os seres de luz! Ahô irmãos da Terra! Que todos os seres sejam felizes. Que todos os seres tenham paz. Que todos os seres se sintam amados! Que a paz reine em todos os corações!!!!

7 comentários:

Mada disse...

O SENHOR, SENHOR DEUS É O ÚNICO SENHOR QUE REINA PARA SEMPRE !!!!!SÓ EXISTE UM DEUS QUE CUIDA DE CADA PASSO DE SUA CAMINHADA.DEUS É O ÚNICO DIGNICO DE RECEBER HONRA!!!!
ELE IRÁ ADIANTE DE VCS.
Mesmo diante das dificuldades, a jornada será mais fácil quando colocamos nossa esperança em DEUS.
AMO vcs.
bijos: Mada

Anônimo disse...

e ae galera, que massa essas fotos... a deborah até já tem cabelo denovo!!!
Olha só, saiu a revista com a materia sobre a viagem de vcs e todo o conteudo já está disponível no site da diluvio.
Preciso saber denovo para qual endereço eu envio os exemplares de voces.
Ah, detalhe importante, a materia sobre o Pedaleco deu uma baita ajuda pra gente vender a contracapa!
Ficamos até sem saber como agradecer!
Valeu, abraços!

Guilherme Carlin

Joaquim Antonio Nogueira disse...

eeeeeeeeiiiiiii
hehehheh que joia.
massa reeencontrar voces.
e curtir um pouquinho da viagem de voces, e do pedaleco maneiro.
a cristina ficou fã de voces e acha a idéia do pedaleco uma obra ducacete. e eu tbm acho.
po, tenho que avisar que de 20 de dezembro até 20 de fevereiro nao vamos estar na bahia. vamor pros estados unidos, com a familia da cristina. mas se vcs tiverem passando lá pela bahia em fevereiro, ja sabem. rango e aposentos por minha conta.
estaremos na beira da praia, entre cumuri e caraíva. quando tivermos direção certa avisamos certinho.
e pssamos pelo rio de janeiro todinho e sua loucura geral. a chapa tava quente merrrmo merrrrmão, ferrrrvendo..
saimos de niterói amanha cedo, dia das crianças.
um enorme dum abraço, bem grande, mandando fé e força e bons tempos o tempo todo.
joaquim e cristina.

Anônimo disse...

Hey dois!
Que loooouuuuccccuuuurrrraaaa!
Que inveja !
Grande abraco

Alair

Anônimo disse...

Cleverson e Deborah,

Achei a barraca "Safari", tô levando amanhã. Quando chegar no Rio do um toque.

Valeu.

Pai

Anônimo disse...

estamos todos rezando por vocês tenham sempre a certeza que estamos enviando a vocês pensamentos positivos para que consigam tudo aquilo que almejam .
Deus está sempre andando na frente abrindo seus caminhos pois vocês estão plantando a paz e esperança no coração das pessoas que mais precisam.
Amo Vocês
tia Alcione

Anônimo disse...

Irmãos!
Ler o pedaleco é um prazer a cada novo post!
Obrigado pelo mail Cleverson! Me deu mais força e confiança!
Continuo mandando energia pra vcs!!
Abraços!
Careca