26/01/2008

Caramba!!! Faz muito tempo que eu não escrevo... e não foi por falta de tempo, na verdade foi por falta de vontade mesmo, às vezes enche a paciência ter que sentar num computador ainda mais sobre a pressão de um tic tac tic tac conometrando cada segundo seu.

A última vez que escrevi estávamos em Porto Seguro, já tinha contado do rolê que demos com o Didiu pelo centro histórico, achei Porto Seguro uma cidade linda mesmo, tanta história, tanta coisa, tem umas feirinhas espalhadas pela cidade onde dá para comprar toda sorte de coisas, óleo de coco, de dendê, farinha, goma, camarão seco, fumo em corda, ervas medicinais, colorifício, temperos diversos, tiras de havainas, leite de coco, pimenta, molho de pimenta, pimenta de cheiro e a lista continua longe.

Ficamos uns 4 dias em Porto, o suficiente para dar uma “cheirada” boa na cidade, arrumar meu alforje, as bikes levaram uma geral boa, foram lavadas por dentro, por fora, trocados cabos de freio e marcha, saíram de Porto como se fossem novinhas. Trocamos nosso chip de telefone por um celular baiano, facilita um pouco para acharem a gente, o problema que não é em todo o lugar que a Tim pega.... estamo atualmente em Serra Grande, e aqui não pega mesmo!

A família de Didiu é espírita e a igreja deles tem um trabalho muito lindo com as crianças de uma favela. Eles todos os sábados, junto com as mães das crianças preparam uma super sopa, com alimentos que seriam jogados fora das feiras, e distribuem entre as crianças, eles também cantam músicas, contam histórias e fazem o passe. A gente participou de um tarde dessas com uma das nossas atividades de Consciência Ambiental. Foi uma delícia, as crianças são super carinhosas e fora um ou dois, também super educadas.


No domingo caímos novamente na estrada. Nosso primeiro desafio foi ao chegar em Santa Cruz Cabrália, lá havia uma balsa, e pelo mapa uma estrada que desviava essa balsa, apenas 24km, bem, resolvemos dar essa volta. Porém esses 24km se multiplicaram, a estrada que o mapa indica simplesmente não existe, ou não achamos ela e acabou que demos uma volta tremenda indo quase para no Vale do Jequitinhonha.


O pior é que estava um Sol, e longe do mar sem vento, sem vegetação, pouquíssimas habitações, nenhuma sombra e o pior de tudo, praticamente sem água. Saímos despreparados, na nossa cabeça seriam apenas 24km e não 50, 60, sei lá!!! Sei que foi tenso. Estava tão quente, que teve uma hora em que a Lara, alucinada de tanto calor, na hora de subir na bicicleta para ganhar uma carona, ao invés de subir na bici do Clé, subiu em cima do meu alforje, toda confusa.

Na hora mais quente do dia fomos obrigados a nos espremer debaixo de um ponto de ônibus, de telha de eternite, mas pelo menos uma sombra. Só mesmo para quem conhece o Solão daqui para saber a importância de uma sombra numa hora dessas. Pedalamos mais um pouco e vimos uma placa indicando Santo André. Sabíamos pelo mapa que essa vila ficava à beira mar. Entramos na estrada na esperança de voltar à segurança que o mar nos traz. Na beira mar sempre têm mais água, mais casas, brisa e nossas sempre amigas as castanheiras que dão uma sombra deliciosa.

Entramos na tal estradinha, de chão, com várias bifurcações e nenhuma placa, e o pior: os eucaliptos. Não sei se já comentei no blog, mas os labirintos que os eucaliptos formam são tão extensos e tão densos que nem os mais experientes nativos se arriscam por suas entranhas. Mas nós não tínhamos escolha.



Já estávamos a alguns minutos pedalando nessa estrada quando passou um carro pela gente, ele nos ultrapassou e minutos mais tarde estava voltando, no sentido contrário, disse que havia se perdido e agora estava cruzando de novo com a gente, sem saber direito o que havia acontecido. Ele deu meia volta e nos passou de novo. Mais alguns minutos ele estava voltando dizendo que não havia saída mesmo a não ser voltar, todos os caminhos por ali faziam a volta e dariam novamente no mesmo lugar.

Voltamos, meio desesperados pensando em ter que passar a noite sem praticamente nada de água, naquela estrada, em direção ao vale mais pobre do Brasil. Porém mais à frente encontramos novamente o motorista e ele disse que havia encontrado um motoqueiro que lhe havia indicado o caminho. Depois de nos explicar direitinho partiu na direção indicada e nós fomos atrás. Pedalamos o resto da tarde inteira, conseguimos água de uma senhora muito boa. Mesmo já estando perto do mar, devido às plantações de eucaliptos a água ainda é escassa. Pedalamos mais um pouco, quando eu que já não agüentava mais pedi para pararmos num pedacinho de mata para dormir. Dormimos ouvindo o mar, não estávamos longe de nosso querido protetor.

No outro dia de manhã fizemos o cálculo de nosso desvio, pedalamos uns 50km em círculos, tendo em vista que saímos apenas uns 3 ou 4 km do ponto onde sairíamos se tivéssemos pegado a tal balsa. Foi uma lição e tanto, nunca mais abandonaríamos a beira mar a não ser que fosse extremamente necessário e certo o caminho a percorrer, não vale a pena.


Chegamos em Belmonte ainda de manhã, lá teríamos que pegar uma balsa (e sem dúvida que dessa vez pegaríamos mesmo), porém tivemos que esperar até o final do dia por causa da maré. Descansamos, almoçamos, tomamos um sorvetinho para daí pegar a balsa que ia para Canavieiras. A viagem de barco foi linda demais. Vimos os mais impressionantes mangues de nossa vida. Estávamos na foz do Jequitinhonha, e haviam verdadeiras florestas de mangues com árvores de cerca 15m de altura. Muito louco é que o mangue se distribuía em degraus, o primeiro e mais baixo, era o mais próximo ao rio, logo atrás vinha outro, mais alto, e outro, e outro atrás de todos e mais alto ainda, tudo mangue, e essas árvores de 15m faziam parto do primeiro degrau apenas, inacreditável.





Dormimos na praia e convencidos pelo barqeiro que devíamos conhecer a cidade antes de ir embora a gente ficou um pedaço da manhã para conhecer a cidade, que pelo visto é bem simpática mesmo e lembra muito São Francisco do Sul (SC). Tocamos em frente, passamos por Una, dormimos mais uma noite. Passamos por Ilhéus, dormimos outra noite e chegamos em Serra Grande.

Aqui já estava previsto que iríamos passar um bom tempo de descanso. Temos um amigo, o Andrey, que está morando aqui. Amigo desses que é irmão mesmo, de forma que estando na casa dele estamos na nossa casa. Porém eu sabia que ele estaria viajando e provavelmente não o encontraria aqui, ele já tinha avisado que quem iria nos receber em casa seria outro amigo dele, o Daniel. Mas quando chegamos na casa os vizinhos avisaram que não havia ninguém em casa, todo mundo havia viajado. Decepção... mas havia uma esperança, a mulher que cuidava da casa, a Heloísa, poderia nos emprestar a chave e a gente poderia ficar a vontade.

E a gente precisava mesmo, as 3 ou 4 últimas noites pegamos chuva, todas nossas roupas estavam sujas, a barraca imunda, os colchões em estado deplorável, tudo fedendo a suor, cachorro, uma nojeira. Eu estava nos meus dias e desesperada por uma limpeza geral depois de tantos dias de provação, e foram dias difíceis esses entre Porto e Serra.

Bem, o remédio era esperar a Heloísa, e ela demorou, demorou e demorou tanto que já estávamos perdendo as esperanças e pensando em dormir em qualquer lugar mesmo, quando a vizinha que nos recebeu enquanto esperávamos disse: Olha ali o Andrey!! E eu: O quê? E ela: o Andrey!! Não podia acreditar, ele havia me dito que estaria em viagem, porém ali estava ele, cheio de malas. Ia passar alguns dias apenas em Serra, entre uma viagem e outra. Uma sincronicidade incrível mesmo. Digo sincronicidade por que depois de tantas coisas que passamos na viagem não dá mais para acreditar em coincidências.

Ele abriu a casa para gente e aproveitou bem os dois dias em que ele ficou aqui com a gente, nos levou aos lugares mais incríveis que existem aqui em Serra Grande, aliás, alguns dos lugares mais lindos que já vimos na vida mesmo! Fizemos amizade com a Heloísa e também com o Ricardo, que estava passando as férias aqui e veio de bike também!!


Depois que o Andrey foi embora passamos alguns dias apenas eu e Clé, lavamos a barraca, demos uma geral na casa que fazia mais de um mês que estava fechada. Separamos os alimentos que estavam estocados e alguns até estragando.



Chegamos na quinta, domingo o Andrey viajou de novo e terça feira meus pais chegaram. Uma coisa que não contei foi que meus pais, aproveitando as férias e algumas milhagens acumuladas resolveram passar uma semana aqui conosco! Bem, estamos agora nessa semana de férias. Já levamos eles à vários lugares, Lagoa Encantada, a Barra (que segundo meu pai é o lugar mais lindo que ele viu na vida), fomos à Ilhéus resolver umas coisas de cidade grande, em Itacaré comer pizza, praia de Itacarezinho e ainda temos hoje (sábado) e amanhã para aproveitar com eles, depois partem para Curitiba.


Ufa!! Acabou que fiquei tanto tempo sem escrever e agora escrevo tudo de uma vez só! Vamos ainda ficar um bom tempo aqui. Precisamos dessa pausa. O Andrey trabalha em uma escola que eu tenho muito interesse em conhecer sua metodologia, a pedagogia Waldorf. Vamos ainda tentar dar um curso de abelhas sem ferrão e para isso precisamos esperar o Carnaval passar, vamos também olhar terrenos e possibilidades, pois vocês ainda lembram que um dos motivos de nossa viagem é achar um lugar para futuramente se estabilizar, e essa região é uma forte cantidata!


Mando notícias em breve!

9 comentários:

Misael disse...

Olá amigos, agora que estão na região de Itacaré, não esqueçam de visitar Camamu e a Península do Maraú. E a praia de Taipus de Fora, pra mim, a mais bela que visitamos. Forte abraço e aguardo notícias!

Buchudo.

Anônimo disse...

E aí, guerreiros!
Muito tempo que não lia as peripécias deste trio... parece que a cada subida as histórias e as fotos vão ficando mais bonitas! Ramonão... de cabelo crescendo... Bem vindo de volta ao time!
Vocês me pareceram nestas últimas fotos alegres, com uma alegria vigorosa. Continuem crescendo e expandindo essa aurea tão bonita!
E veja dois terrenos por essas bandas...
Grande abraço

Victor Augustus

Anônimo disse...

Os dias que passamos aí foram bons, pois matamos a suadades.
Voltamos a nossa vida no aconchego do nosso lar.
Bjs... Madalena.

Anônimo disse...

Oi trio!
Ai q sufoco vcs passaram hein!?
Tá louco!! Mas Graças A Deus deu tudo certo!!!
Por aqui tbm td bem...
Saudadonaaaa!!
bjos

Cintya, Gabi, Henrique e Mãe

Anônimo disse...

FELIZ ANIVERSÁRIO. DEUS TE ABENÇÕE E JESUS CRISTO RENASÇA EM SUE CORAÇÃO ! TE AMO.

Mada

Anônimo disse...

Debora! Parabéns!!!
Mta saúde, felicidades, sucesso, paz, amor... td do melhor sempre!!
Bjos!
Cintya, Gabi, Henrique, Celito e Ada

Rafael Martins disse...

Bah...Acabei de ler o relato de vcs e imagino o sufoco que passaram, mas o reencontro com o amigo Andrey,naquela hora e em tal circunstância, revela que estão no caminho certo, o caminho do coração.Eu torcendo por vcs e admirando este lindo propósito.

Grande Abraço
Gohan cassino RS

Misael disse...

Felicidades Déborah! Saúde a alegrias!!

Lucielle disse...

mas voces sao muito chiques mesmo... carnaval na Bahia... tá loco...

Gente, estamos morrendo de saudades!!! toda vez que pensamos em vcs mandamos energias positivas para continuarem sua jornada!!!
Boa sorte!!!

beijão!!!!