09/06/2007


Caracóis!!! Como quando a gente percebe que é praticamente inútil fazer planos quando se está viajando.... pelo nossos planos quando saímos de Shangrilá era para estarmos em São Paulo já... mas que nada, ainda estamos aqui, na região de Antonina... já conto o que houve.


Bem, a festa rolou legal lá em Shangrilá, não digo que foi muita gente, mas quem foi fez ser especial.. teve festa no sábado e no domingo. Sábado a noite mesmo tinham 8 pessoas da Bio.. e o que a gente deu risada não está no papel.. foi muito divertido contar as histórias, ouvir as novidades do CAEB, do EREB e de tudo o que aconteceeu nesses quase 4 meses. Nós tínahmos uma porção de histórias para contar, só a da capivara é que não ganhou muita credibilidade.


No domingo ainda tinha uma galera da bio e daí desceu também toda a familhada e mais uns amigos do Clé, da época da informática. E mais risadas, mais histórias, mais lembranças. Quando todo mundo foi embora admito que ficou um vazio, uma falta de mais gente... É duro só ficarmos nós três sozinhos o tempo todo, dureza mesmo.

Mas deixando isso de lado dormimos e acordamos com os planos de ir a Paranhaguá pegar a barca para Superagui. Bem que tentamos, mas antes tínhamos que passar num correio para mandar um CD para o Ike e ir num posto de saude para tomar uma vacinas. POr falar nisso o Ike está com um CD com informações quentíssimas que recolhemos ao longo de nossa jornada. Quem se interessar fazer uma cópia com ele. E é para divulgar MESMO, saiu cara mandar o CD pelo correio e queremos que o maior número possível de pessoas se beneficiem com esse conhecimento.

Bem dizer mesmo, ficamos o dia todo atrás desse tal de posto de saúde, que cada pessoas dizia que ficava num lugar diferente, quando achamos o posto e eu tomei as vacinas, já estavamos cansados, desanimado e sem nenhuma vontatde de ir à Paranagua, acampamos pela Praia de Leste mesmo e quando já estávamos dormindo um telefonema mudou TODOS os nossos planos, estavam esperando a gente num acampamento do MST para desenvolvermos práticas lá. Bem, dito e feito, estamos no acampamento desde quarta feira, todos lá são pessoas irresistivelmente4 simpaticas, acolhedoras, amorosas, apesar da dureza em que vivem e as dificuldades do dia a dia.

Não tem nem como explicar tudo, só vivendo galera. Eles ganham um terreno para começar a produzir e tal, só que o local é um antigo pasto de búfalos e existe um mato chamado braquiária que é uma verdadeira praga... incrível o trabalho que dá para tirar tudo aquilo e a quantidade de braquiaria que tem, sem brincadeira, é só braquiária, onde não foi tirado e começado a plantar outra coisa só tem isso, só vendo para crer.


Eles ainda não tem garantia que vão ficar com a terra, mas estão lutando por isso. Há quatro anos atrás foram expulsos a tiros e tiveram suas casas queimadas num terreno ao lado, agora recomeçam a vida nesse novo acampamento. Eles têm uma consciência ambiental muito forte, apesar de cultivarem alguns costumes anti ecologico por falta de opção como queimarem o lixo. Não há coleta seletiva, ônibus para cidade apenas duas vezes por semana, ônibus para as crianças irem para a escola as vezes fica semanas sem vir.

Eles possuem uma vida em comunidade mesmo, além dos afazeres de cada um na sua casa, há os dias em que há o que chamam de coletivo. Atividades de roça, capina, produção de balas e compotas de banana, tudo voltado para a comunidade toda. Também há coletivos nas propriedades individuais de cada um de vez em quando, todos se ajudam muito. É lindo.

Eles estão trabalhando lá voltado para a agroflorestas, não digo que todas as propriedades sigam essa linha, mas já dá para ver ótimos resultados por lá. E o que me mais me intriga, tudo isso e eles não tem a certeza de que vão ganhar aquela terra, tudo na esperança, na crença de que a justiça vai ser feita e de que eles vão ganhar a terra pela qual têm direito.

Vamos ficar mais uns dias lá, querem que os ajudemos a construir um banheiro seco, gostaram da ideia do galinheiro móvel, da espiral de ervas, das hortas mandala... temos trabalho pela frente, e algumas pessoas do movimento foram para Brasília onde está tendo um Congrsso da Reforma Agrária, talvez tenhamos que esperar pela volta deles... quem sabe.

Como eu disse, não dá para prever NADA nessa vida, só se você leva uma vida muito previsível, hehehe. O importante é que estamos bem, com saúde, bem alimentado, bem abrigados do frio e muito felizes por estarmos fazendo diferença em algum lugar do mundo.

4 comentários:

Mada disse...

Acamos encontrando com a Deborah em Antonina, rolou um almoço super dez, depois fomos com a Deborah encontrar o Cleverson. Tenho uma fotos lindas do lugar, enviarei pelo seu email.
bjs.
Até a próxima.
Mada

Anônimo disse...

Estou gostando de te acompanhar virtualmente, amiga! O trabalho está ficando gigante!!! Avise quando for passar pelo litoral norte de São Paulo. Quem sabe? :o) Beijo grande no seu coração!

Paulina

PS: sei que melhorou um pouquinho, mas cuidado com o frio...

Misael disse...

Amigos,

Foi incomensurável passar o Domingo com vocês... Deu para matar um pouquinho a saudade, mas o coração já está repleto novamente... Mais uma vez, reiteramos nosso apreço por vocês e oramos para que tudo de bom aconteça com vocês!! Até algum dia, no Nordeste, tomando água de coco...

Abraços!!

Buchudo.

Luciana disse...

Amigos,
Vocês não sabem como fico feliz por estarem em Antonina. Esse povo daí é muito lutador. Enfrentam muitas adversidades, mas continuam firmes e fortes na luta pelo pedaço de chão e por uma vida mais digna. Tenho certeza que vocês têm muito pra ensinar e mais ainda pra aprender com esse povo maravilhoso.
Parabéns!
Bjo enorme e continuamos dispostos a encontrar mais contatos com a família sem terra... Mandem mail pra mim e pra Jak, que já podemos tentar articular algo em SP.